Beleza e estética vivem disputa entre tecnologia e atendimento humano

Para Larissa Barreto, especialista em produtos e serviços de beleza, esse movimento não representa substituição, mas redefinição de papéis no mercado

O setor de beleza e estética atravessa uma transformação impulsionada pelo avanço tecnológico e pela mudança no comportamento do consumidor. De um lado, máquinas, protocolos automatizados e até robôs para procedimentos repetitivos começam a ganhar espaço no mercado global; de outro, cresce a valorização do atendimento humano, da naturalidade e dos cuidados contínuos com a pele.

O debate sobre a possível substituição de profissionais por equipamentos ganha força à medida que o setor mantém trajetória de expansão: o mercado mundial de estética deve atingir US$ 124,7 bilhões até 2028, com crescimento anual composto de 9,8% entre 2021 e 2028, segundo a consultoria Grand View Research.

No Brasil, onde clínicas e redes de estética intensificam investimentos em maquinário, a concorrência entre tecnologia e serviços realizados por profissionais já é percebida no dia a dia do setor. Esse movimento acompanha uma tendência internacional mais avançada: nos Estados Unidos, por exemplo, começam a surgir robôs capazes de executar procedimentos repetitivos, como aplicação de cílios ou cuidados com unhas, sinalizando um cenário em que parte das etapas técnicas poderá ser automatizada.

Para Larissa Barreto, especialista em produtos e serviços de beleza da Sóbrancelhas, maior rede de estética facial da América Latina, esse movimento não representa substituição, mas redefinição de papéis no mercado. Segundo a especialista, a tecnologia tende a assumir funções padronizadas, enquanto o diferencial humano se fortalece na consultoria estética personalizada.

“O mercado global da estética minimamente invasiva segue crescendo fortemente, com grande procura por inovação em técnicas e equipamentos. Nesse cenário, vemos muitas empresas investindo em maquinário, aumentando a concorrência para quem trabalha com atendimento e mão de obra. Robôs realizam tarefas repetitivas, mas isso não substitui o trabalho humano”, afirma Larissa.

O setor, portanto, reforça cada vez mais a importância do cuidado contínuo e da rotina em casa — movimento que sustenta a relevância dos cosméticos de tratamento e do acompanhamento profissional personalizado. Nesse contexto, a tecnologia passa a ocupar um papel de suporte operacional, enquanto o valor do atendimento humano se desloca para a orientação estética individualizada e de longo prazo.

“Mesmo quando a máquina realiza um tratamento, ela não acompanha o cuidado diário que continua quando a cliente vai para casa. A estética envolve rotina, orientação e produtos adequados, algo que depende de acompanhamento profissional. Enquanto os equipamentos assumem tarefas padronizadas, as profissionais se concentram cada vez mais na consultoria humanizada. A tecnologia hoje é vista muito mais como ferramenta complementar do que substituição, e, mesmo com avanços rápidos, o vínculo humano e a sensibilidade no atendimento continuam sendo o principal diferencial do setor”, afirma Luzia Costa, CEO da Sóbrancelhas.

Naturalidade, tecnologia e experiência: o novo equilíbrio da estética

A especialista ainda aponta que a convergência entre equipamentos avançados, cosméticos dermocosméticos e serviços personalizados tende a definir a próxima fase do mercado de beleza. Estamos entrando agora em 2026 como o ano da naturalidade: as pessoas buscam procedimentos que preservem sua aparência natural. Procedimentos minimamente invasivos, tratamentos regenerativos e rotinas de cuidado em casa ganham protagonismo.

Nesse cenário, a disputa entre máquinas e profissionais deve evoluir para um modelo híbrido, no qual a automação amplia a produtividade, enquanto o atendimento humano se reposiciona como consultoria estética de alto valor. Para redes como a Sóbrancelhas, a estratégia passa a reforçar o papel do especialista em beleza como curador de tratamentos — um papel ainda fora do alcance da automação.